FLEXIBILIZAÇÃO X POLARIZAÇÃO

imageAs polarizações muitas vezes levam as pessoas aos limiares da irracionalidade.
Os extremos costumam ser lugares perigosos e escorregadios, porque de certa forma são o fim de “não sei o que”, mas o fim. Se são “fim”, são situações, lugares, formatação de ideias, que chegaram a um estado de engessamento que impossibilita quaisquer flexibilizações e remanejos ou qualquer movimento objetivando ajustes.
Vemos esse condicionamento no atual cenário político do nosso país. Pensemos em alguns exemplos recentes:
Se alguém critica qualquer integrante de um partido contrário ao governo é acusado de conivência e de concordar ou desejar que a situação caótica do país se perpetue. Se alguém critica o governo é acusado de ser “coxinha”, de ser contra o pobre e a favor “das elites”. Se a pessoa critica a cusparada do Jean Willys no Bolsonaro, por entender que este tipo de comportamento é reprovável a um parlamentar, independente de quem tenha sido a vítima do ato, a pessoa é acusada de ser facista e de apoiar os mesmos toturadores admirados pelo Bolsnaro. Se você se posiciona contra a reprovável fala do Bolsonaro, que homenageia um torturador da época do regime militar, você é acusado de ser esquerdista por não acusar também o Marighella ou Che Guevara, entre outros, que sendo de esquerda cometeram atos semelhantes. Enfim, a pessoa se posicionando contra um ato, de forma isenta, apenas tentando denunciar o erro, independente de preferência partidária, sem atribuir valor a quem o cometeu, acaba virando alvo de extremistas e polarizadores que se confrontados irão dizer que não o são. Só que na verdade, suas reações e atitudes os denunciam.
A polarizaçao leva as pessoas a tal ponto de inflexibilidade fazendo com que ajam como se estivessem cegas, abrindo mão de  relacionamentos, amizades, atropelando e magoando pessoas, pelo simples fato de terem chegado a um extremo em suas posições que não permite sequer moverem-se, quanto mais recuar.
Neste aspecto a polarizaçao é destrutiva, pois não dá espaço, para a reflexão, ajustes e mudanças de posição quando estas são necessárias. Porque do extremo jamais se vê o outro. Do extremo não há possibilidade de considerar o outro.
A polarização por circular apenas nos extremos produz um tipo de gente a quem podemos chamar de radicais. Os radicais são aqueles que farão o que for preciso para defender sua ideia. Os radicais são aqueles que se tornam idólatras de suas próprias idéias e por elas manipulam e usam pessoas. Gente que em despesa de suas ideias são capazes de descartar e até, se necessário for, matar pessoas.
Os extremistas, radicais, polarizados sofrem um processo intenso de desumanização que os torna insensíveis, frios e fortes candidatos a psicopatia.
Despir-se da polarização e flexibilizar-se não é sinônimo de fraqueza, de inconstância, de volubilidade ou falta de foco e determinação, ao contrário, é sinal de uma humanidade madura, que entende-se em um processo de construção inacabado, mas em evolução, em um processo de aperfeiçoamento no qual, se permite moldar e mudar quando necessário for visando sempre o bem comum.
É fundamental que reajamos a qualquer tipo de polarização se quisermos viver bem com o outro. Na verdade, a felicidade de um indivíduo depende muito do outro, do seu próximo e a polarização é inimiga dessa relação. Reflitamos.

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~ por celsommachado em 24/04/2016.

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