…a dor…

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A dor é algo muito íntimo e individual, seja ela física ou da alma. Ninguém é capaz de dimensionar, superestimar ou subestimar a dor alheia, não é possível. Ela é pessoal e única. Nenhuma pessoa é igual e portanto nenhuma dor o é.

A dor pode ser coletiva em certo sentido, mas mesmo na coletividade não perde sua individualidade. Uma catástrofe natural é capaz de produzir dor a uma cidade ou país inteiros, mesmo coletiva, a percepção é individual. Cada pessoa perceberá e processará de uma forma e a soma dessas individualidades irá gerar a dor de um povo.

A dor, apesar de indesejada e malquista, pode produzir resultados positivos. Ela nivela os seres humanos. Ela os coloca diante de suas limitações e fragilidades aguçando a revoltante conclusão de igualdade resistida pela maioria. Ela confronta o egoísmo e o egocentrismo que lhes são naturais e abre a possibilidade para a empatia.

A dor é empática apesar de não ser igual, pois possibilita um ser humano a olhar o outro com mais compaixão e misericórdia do que julgamentos, porque mesmo que não na igualdade, na sua semelhança ela é capaz de dizer ao outro eu te entendo. Neste sentido a dor pode ser até mesmo agregadora.

A dor tem um efeito reflexivo. Leva à dúvida, ao questionamento e até à fé. Os turbilhões de pensamentos produzem uma avalanche de perguntas tais como: Por que? Por que comigo? Pra que serve está experiência? Onde está Deus enquanto sinto tudo isso? A maioria dessas perguntas talvez nunca tenham resposta, mas com toda, certeza a reflexão que elas geram não ficará estéril, pois ela muda o que sofre.

A tendência primeira da humanidade, e de forma acentuada neste século, é tentar fugir da dor, evitá-la, o que na verdade não é possível. As tentativas de fuga levam o ser humano a procurar em placebos o seu alívio. A tentativas frustradas de evitá-la levam a uma busca cega e irracional pela condição ou estado de torpor proporcionado por vários tipos de drogas, religiões, filosofias, etc, que propõem e até produzem certo alívio ainda que temporário. Estas tentativas apenas adiam a conclusão do processo e o fechar do ciclo.

A dor tem começo meio e fim ou não. Mas a única forma de lidar com ela é enfrentá-la. O resultado desse enfrentamento pode ser o alívio permanente ou não, mas é necessário enfrentá-la. Pode ser que o resultado seja apenas o aprendizado de saber lidar com ela e não permitir que a mesma lhe impeça de desfrutar o maior privilégio e a maior dádiva alcançada por um ser humano que é estar vivo. E pode ser também que se alcance o alívio total.

Ao contrário do que dizem as estórias, as novelas, as fábulas e as expectativas humanas, viver dói, mas nem por isso viver é ruim. O grande desafio ao ser humano vivo que inevitavelmente sentirá dor é não deixá-la ser senhora, mas fazer dela uma serva. E viver da melhor forma, apesar dela. É Enfrentar a ponto de fazer de cada dor uma possibilidade de crescimento e aprendizado.

Difícil? Quem disse que viver seria fácil?

A verdade a ser aprendida e encarada é que viver dói.

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~ por celsommachado em 26/05/2015.

Uma resposta to “…a dor…”

  1. Republicou isso em ARMAZÉM DO CELSO.

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