…um sermão de um frio domingo de inverno…

CONTRIBUINDO PARA A CONSTRUÇÃO DA COMUNIDADE

Dificilmente você encontrará alguém que não sonhe, ou não tenha opiniões e sugestões para o meio ou grupo onde está inserido.

Temos propostas para o nosso bairro, cidade e país. Temos opiniões claras e bem fundamentadas que mudariam para melhor nossa sociedade. Mas a expectativa é sempre que o outro faça, seja o vereador, o prefeito, o governador, o presidente da república.

Queremos justiça na distribuição de renda, mas não estamos dispostos a abrir mão e negociar lucros. Queremos respeito, mas não respeitamos. Não queremos corrupção, mas corrompemos e nos permitimos corromper por muito pouco. Ou seja, eu quero que as coisas aconteçam, mas sempre na expectativa que o outro faça.

E a Igreja não está imune a este tipo de visão. Se fizermos uma enquete aqui cada um de nós teria um projeto, ou pelo menos, dicas a respeito da igreja ideal. Mas juntamente com as propostas vem sempre a expectativa de que elas se realizem a partir do outro.

A partir do CARISMA de um super, mega, blaster, ungidão, que possui todos os dons e realiza todas as coisas. Ou mesmo através da soma de alguns poucos carismas que venham a compor uma equipe de liderança super eficaz. Esta expectativa é um sintoma do mal eclesiástico do nosso tempo, que é a igreja de consumo.

A igreja de consumo está profundamente ligada a ideia do entretenimento. Vou ao teatro, ao cinema, a algum show, e pago pelo entretenimento, se não me agradar procuro outro. A mesma ideia do fast food, comida rápida, algo pronto que satisfaça o meu gosto naquele momento. Se não for do meu gosto eu mudo. Na igreja fast food eu não participo da produção apenas sou agente de consumo.

Apesar de convivermos com esta realidade eclesiástica nos nossos dias, e facilmente sermos influenciados por ela, é necessário pontuar aqui que isto não é igreja, pois não traduz a proposta neotestamentária do que vem a ser igreja.

Quando a igreja depende de um só carisma está fadada ao fracasso por várias razões: é corpo e para funcionar bem depende de todos os membros (carismas); o detentor do carisma atrativo é humano e falível; carismas passam, mas a igreja fica.

Quando a igreja é encarada como meio de consumo está fadada à esterilidade insipidez. Porque não haverá a essência proposta pelas Escrituras no Novo Testamento, que é vida e amor.

A igreja que depende de um carisma não produzirá discípulos de Jesus Cristo, membros de um corpo, mas tietes para aplaudir o “animador de auditório de plantão”. Viver a igreja como meio de consumo não produzirá adultos maduros, mas perpetuará uma “maturidade infantil”.

A igreja é corpo e acontece com a participação de todos.

“Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo. Dele todo o corpo, ajustado e unido pelo auxílio de todas as juntas, cresce e edifica-se a si mesmo em amor, na medida em que cada parte realiza a sua função”. Efésios 4:15-16

O objetivo de crescimento, dinamicidade e frutificidade da igreja não pode depender de um só carisma. A igreja cresce, ganha dinamismo e frutifica quando todos estão envolvidos. E como deve ser o coração de um membro envolvido com a construção da sua igreja, comunidade?

Quero recorrer ao texto de Neemias. E gostaria de pensar no coração dele como o coração daquele que contribui para a construção da igreja da qual faz parte.

CORAÇÃO QUE AMA

“Quando ouvi essas coisas, sentei-me e chorei. Passei dias lamentando, jejuando e orando ao Deus dos céus”. Neemias 1:4

  • Quando Neemias recebe as notícias sobre o estado de Jerusalém o seu coração é revelado.
  • Ele apesar de exilado desfrutava de uma boa vida como copeiro do rei, mas amava o seu povo e sofria por ele.
  • Para ele era inadmissível sentir-se bem e confortável sabendo que Jerusalém estava destruída e o seu povo que lá havia ficado, vivia de forma miserável em meio a um ambiente de extrema injustiça.
  • Ao ouvir as notícias ele chora. Ele Lamenta. Ele jejua e ora. Passividade é algo que não faz parte da rotina de quem ama.
  • Para que você seja um construtor da sua igreja você precisa amá-la. Para que você possa ver sua igreja melhorando e caminhando em direção ao ideal é preciso amá-la. Nos comprometemos e lutamos por aquilo que amamos.
  • O quanto você ama a sua igreja? Quantas vezes você chorou, lamentou, jejuou e orou por ela?
  • Você ver sua igreja crescendo, realizando de forma dinâmica seu ministério e frutífera? Ame-a! E que este amor te leve a se importar, jejuar e orar e até chorar por ela se necessário, pois o amor leva ao comprometimento.

CORAÇÃO COMPROMETIDO

“Confesso os pecados que nós, os israelitas, temos cometido contra ti. Sim, eu e o meu povo temos pecado contra ti. Agimos de forma corrupta e vergonhosa contra ti. Não temos obedecido aos mandamentos, aos decretos e às leis que deste ao teu servo Moisés”.  Neemias 1:6-7

  • Vivemos o tempo da transferência da responsabilidade. A culpa, a responsabilidade será sempre do outro.
  • No texto, Neemias revela um coração comprometido quando diz: “Confesso o pecado que nós cometemos…”.
  • As coisas iam mal. O povo amargava as consequências dos seus erros. Mas o construtor Neemias que amava o povo se inclui e não se exime de suas responsabilidades como parte do povo. Isso demonstra um comprometimento fruto de amor.
  • Ao longo da minha vida já vi muitas pessoas insatisfeitas com suas igrejas dizendo: “minha igreja não vai bem”, ou, “estou saindo porque minha igreja não está bem, ou precisa melhorar em uma série de coisas” e param por aí.
  • Constatar erros e reconhecer o que não vai bem é na verdade muito fácil e simples, mas quando estas constatações não me levam ao próximo passo revelam um coração que na verdade não ama e não está comprometido com sua igreja. Revela um coração que tem como sua parte no processo apenas consumir.
  • O comprometimento fica evidente quando assumimos nossa comunidade com seus bônus, mas também com seus ônus e dizemos “pecamos” ao invés de “pecaram”; “precisamos melhorar” ao invés de “precisam”. A primeira forma de abordar sinaliza que há amor e comprometimento. Já segunda sinaliza que não há amor e tão pouco comprometimento, pois não se inclui, não faz parte, vira peso morto.
  • O amor e comprometimento leva a ação.

CORAÇÃO COM ATITUDE

“O rei me disse: O que você gostaria de pedir? Então orei ao Deus dos céus,
e respondi ao rei: Se for do agrado do rei e se o seu servo puder contar com a benevolência do rei, que ele me deixe ir à cidade de Judá onde meus pais estão enterrados, para que eu possa reconstruí-la”. 
Neemias 2:4-5

  • Neemias não fazia parte da corte de Judá e nem tão pouco pertencia à linhagem dos governantes do povo, que deveria por obrigação, tomar uma atitude em relação a situação caótica do seu povo. Ele era apenas povo, parte do povo, mas alguém que amava e estava profundamente comprometido com seu povo. Esta disposição de coração a despeito de obrigação ou cargos faz com que ele entre para a história do seu povo tomando a iniciativa de reconstruir os muros de Jerusalém.
  • A gente ouve muito nas igrejas aquela frase célebre: “Eu não faço nada porque ninguém me convidou, ou, porque não tenho cargo e a obrigação é de quem tem cargo”.
  • Na verdade, sem diminuir a responsabilidade de quem exerce liderança, se é que há obrigação para que a igreja cumpra seu papel ela é de todos. Como podemos ver em Efésios 4:11-13: E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, COM O FIM DE PREPARAR OS SANTOS PARA A OBRA DO MINISTÉRIO, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo”. 
  • Nós, pastores e líderes, não temos “bola de cristal”. Em alguns casos conseguimos perceber dons das pessoas quando os vemos em ação. Caso contrário é necessário que você se disponha, dizendo: eis-me aqui, para servir em determinada área, ou até mesmo, se dispor para servir mesmo sem saber onde e como e aí a liderança estabelecida pode orientar e capacitar.
  • Aquele que ama sua igreja, se compromete com ela, e age em favor dela tornando-se um de seus construtores.

CONCLUSÃO:

  • Qual a intensidade do seu amor por sua igreja?
  • Até onde vai o seu comprometimento com ela?
  • O que você tem feito para contribuir com a construção da sua comunidade?
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~ por celsommachado em 08/08/2012.

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