…o sofrimento…

“Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo”. João 16:33

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Pai das misericórdias e Deus de toda consolação, que nos consola em todas as nossas tribulações, para que, com a consolação que recebemos de Deus, possamos consolar os que estão passando por tribulações. Pois assim como os sofrimentos de Cristo transbordam sobre nós, também por meio de Cristo transborda a nossa consolação”. 2 Coríntios 1:3-5

“Se somos filhos, então somos herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, se de fato participamos dos seus sofrimentos, para que também participemos da sua glória. Considero que os nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada”. Romanos 8:17, 18

Quem crê no Deus compassivo reconhece seu sofrer em Deus e Deus no seu sofrer e em comunhão com ele encontra forças, apesar da dor e das aflições, para permanecer no amor e não se tornar amargo. Porque Deus permite isso tudo, não sabemos. E, mesmo se o soubéssemos isso não nos ajudaria a viver.

Jürgen Moltmann

  • O sofrimento é algo inerente à existência humana.
  • Entre todos os seres da criação, somente o ser humano tem consciência da existência do sofrimento e é capaz de refletir sobre ele.
  • Assim, diante da experiência do sofrimento, surgem questões em torno à existência de Deus.
  • Em meio às questões que se levantam, o ser humano, como a criança, que em momentos de tristeza pede colo e em momentos de alegria o rejeita, clama por Deus em seu abandono ou prefere abandonar Deus em sua angústia. A fé em Deus torna-se sua segurança ou sua dúvida.
  • É profundamente humano a busca pela felicidade, mas não podemos nos iludir pretendendo uma vida totalmente isenta de sofrimento.
  • Onde há vida, mesmo que não queiramos, há sofrimento. Nesse sentido, o ser humano por ser frágil e vulnerável se depara com grandes desafios. E ser vulnerável não é escolha, mas condição de toda criatura humana.
  • Por isso, é preciso que o ser humano, como uma criatura querida por Deus dentre as demais criaturas, assuma livremente e com consciência essa sua condição débil, frágil, vulnerável e, ao mesmo tempo, cheia de possibilidades, diante dos limites da vida propostos pelo sofrimento.
  • A vida humana só é viva quando experimenta o amor e a afirmação. Quanto mais amamos a vida com paixão, mais intensamente encontraremos a felicidade. Quanto mais apaixonadamente a amamos, mais intensamente sentimos a dor da vida e a mortalidade da morte.
  • O sofrimento de certa forma dilacera a pretensa grandeza do ser humano porque nos nivela, ninguém está isento. Todos sofrem, e experimentam as limitações provenientes do sofrimento.
  • E esse sofrimento também não isenta a fé de questionamentos. Como unir a idéia da fé bíblica do Deus criador de tudo, que é bom, com a dimensão do sofrimento da sua criação? Como compreender um Deus que abandona seu Filho na dolorosa e horrenda morte de cruz? Que Deus é esse que parece não escutar o grito da sua criação que clama diante da dor?
  • Contrariamente ao nosso desejo de total libertação do sofrimento, o Deus do cristianismo responde às questões em torno do sofrimento da sua criação através do sofrimento de Cristo.

UM DEUS SOLIDÁRIO COM O SOFRIMENTO HUMANO

  • Segundo Moltmann, a teologia cristã só pode nos levar a compreender o sofrimento deste nosso mundo, criação de Deus, se primeiramente compreendemos a história do sofrimento de Cristo.
  • E a história do sofrimento de Cristo está permeada por uma paixão incompreensível à lógica humana. E no sofrimento de Cristo fica evidente o sofrimento do Deus trino. Deus sofreu e sabe o que é sofrer.
  • Nesta perspectiva, falando especificamente do ser cristão, o mesmo Moltmann afirma que: No Cristo que sofre descobrimos o Deus compassivo que nos compreende.
  • Entendendo e permitindo que esta verdade faça parte da nossa experiência, percebemos que Deus não é aquele poder de destino frio e distante, que a gente acusa, mas que em Cristo ele se tornou o Deus humano, que grita conosco e intercede por nós quando nós nos calamos diante da nossa dor.
  • O Deus que se tornou humano transformou nossa vida em uma parte de sua vida, nossas dores, nas suas. Por isso nas nossas dores e preocupações participamos da sua.
  • Acreditar em Jesus Cristo, verdadeiramente homem e Deus, é deixar-nos levar pelo Deus Trino, que não está contraposto à criação, mas que perpassa a criação assumindo também as suas limitações. Ele encarnou.
  • O Deus trinitário da fé cristã, em sua “im-potência” por assumir a condição humana, é, sem dúvida, um Deus solidário e não solitário. Não é um Deus apático, mas compassivo, ou seja, sensível à realidade humana.
  • Enfrentar o sofrimento sem buscar atalhos e fórmulas mágicas significa viver de forma muito próxima a companhia de Deus. Como vemos em Isaías 57:15: “Pois assim diz o Alto e Sublime, que vive para sempre, e cujo nome é santo: “Habito num lugar alto e santo, mas habito também com o contrito e humilde de espírito, para dar novo ânimo ao espírito do humilde e novo alento ao coração do abatido”.

A SOLIDARIEDADE DE DEUS COM NOSSO SOFRIMENTO DEVE NOS INSPIRAR A SERMOS SOLIDÁRIOS COM OS QUE SOFREM A NOSSA VOLTA

  • Num mundo onde a apatia prevalece, o despertar da sensibilidade humana deve ser uma das prioridades a serem abraçadas pela Igreja cristã.
  • Se a fé cristã acredita no Deus que é dinâmico, sensível às dores e às alegrias de suas criaturas, por que não nos abrirmos à sensibilidade para com aqueles que clamam por mais vida?
  • A idéia da compaixão tem o objetivo de nos remeter para fora de nós mesmos. Ninguém foi feito para si, mas para a relação, para a incondicional abertura ao outro.
  • A compaixão, enquanto paradigma humano e cristão, ajuda a romper o narcisismo que mata nossos sentimentos. Sem sentimentos não somos capazes de nos deixar tocar pela compaixão como aconteceu com o bom Samaritano.
  • Diante de tudo isso, ao passar por situações de sofrimento, de nada adianta negar ou justificar Deus. De nada adianta amargurar o próprio coração com perguntas erradas.
  • Mesmo como mistério ou problema o sofrimento está aí, e nos desafia. E como já afirmamos a fé cristã tem sua resposta na vida prática de Jesus.

CONCLUSÃO

  • Romanos 8:18“Considero que os nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada”.
  • Romanos 12:12 “Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração”.
  • Mateus 28:20 “…E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos”.

 

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~ por celsommachado em 13/07/2011.

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