…política? vergonha nacional…

Acabamos de acompanhar pelos veículos de informação um evento importante no congresso nacional onde o novo governo do Brasil representado pela “presidenta” Dilma, como ela gosta de ser chamada, passou por sua primeira prova de fogo. A votação do novo valor do salário mínimo transcorreu seguindo as pistas que já haviam sido dadas. E como qualquer evento dessa amplitude e visibilidade se torna revelador no sentido de deixar claro que na verdade nada mudou na forma de fazer política neste país. Não há dúvida de que fazer política envolve diálogo e negociação. Gerir uma nação continental como o Brasil seria impossível se não houvesse a possibilidade de idéias postas e contrapostas interagirem e se lapidarem até chegar ao senso comum. Mas não é o que vemos no nosso país principalmente na tratativa com este assunto específico: “Salário”, seja ele mínimo ou não. Em primeiro lugar, não posso deixar de mencionar que no apagar das luzes da transição presidencial, 60% de aumento passaram a engordar as já desproporcionais remunerações de parlamentares, ministros, e afins. Classifico como desproporcionais considerando o ganho da maioria dos brasileiros que realmente constroem este país e que não se aposentam antes de 30, 35, ou mais anos de trabalho. É estranho não ter havido um protesto sequer por parte dos deputados e senadores eleitos recentemente, não os viciados em poder, as raposas velhas que a anos dominam e sugam a máquina administrativa do nosso país, pois destes não há muito mais que esperar serão não aquilo que sempre fizeram. Mas me refiro aos que iniciam seu primeiro mandato cujas promessas de campanha com temática totalmente voltada para a ética e justiça social ainda estão vivas nos ecos dos seus comícios. Na verdade fica claro que o foco principal dessas candidaturas e mandatos não é o Brasil nem tão pouco os brasileiros, mas eles mesmos. Voltando então ao último evento, a votação do salário mínimo, percebemos alguns pontos. O primeiro, pessoas que vivem com pelo menos quarenta vezes o valor do mínimo, dizem que o valor é justo e esperam que quem ganha 1, 2, 3 mínimos sustentem com dignidade suas famílias. Na verdade o valor de um salário para eles é indiferente, mas para a maioria dos brasileiros que não ganha essa exorbitante quantidade de mínimos faz toda diferença. É claro que é necessário bom senso para lidar com o problema. É preciso ter muita cautela, fazendo uso das melhores estratégias, pois não se quer quebrar o país elevando este valor ao ideal de uma hora para outra sem o devido aprovisionamento. Mas os nossos governantes e parlamentares poderiam começar dando exemplo controlando os gastos públicos com iniciativas simples: abrindo mão do 14º salário; das incontáveis ajudas de custo (terno, moradia, carro, viagem, etc…) que a grande maioria dos trabalhadores brasileiros não tem; diminuição dos cargos comissionados (diretores) no Congresso que chega a oitenta sendo que o previsto em seu regulamento interno não ultrapassa 10, supomos que se foi normatizado é porque é suficiente, um reajuste para baixo nas verbas de gabinetes, vamos parar por aqui, pois a lista como bem se sabe é longa. Quero abordar ainda o processo de negociação para aprovação do atual salário mínimo. Por mais que a “presidenta” Dilma afirme que não irá comprar votos com cargos os seus aliados não pensam assim. Depois da aprovação do novo mínimo na câmara o PMDB já sinalizou que quer cargos como pagamento alguns cargos de comando em instituições financeiras, é mole?! Porque financeiras? Será que isso sinaliza apenas a vergonhosa e inescrupulosa sede de poder ou facilidade para algo mais…É triste constatar estes fatos que fazem o coração de um brasileiros comum que ama seu país sofrer. O Oriente Médio vive uma verdadeira revolução, ditadores, oligarquias estão caído frente a uma ação popular mássica e relevante. Não defendo a violência como também tem acontecido em alguns lugares, mas defendo a manifestação, o posicionamento o levantar-se de um povo que cansado de ser oprimido, cansado de ser feito de palhaço, cansado de ser usado levanta sua voz e diz basta!!!!! Será que não está chegando a vez dos brasileiros dizerem basta e lutar por um jeito de fazer  política que não seja uma vergonha nacional? Quero concluir esta reflexão mencionando a letra da música de um inspirado poeta e grande questionador João Alexandre Silveira:

                                                                                                                              

Como será o futuro do nosso país?

Surge a pergunta no olhar e na alma do povo

Cada vez mais cresce a fome nas ruas, nos morros

Cada vez menos dinheiro pra sobreviver

 

Onde andará a justiça outrora perdida?

Some a resposta na voz e na vez de quem manda

Homens com tanto poder e nenhum coração

Gente que compra e que vende a moral da nação

 

Brasil olha pra cima

Existe uma chance de ser novamente feliz

Brasil há uma esperança!

Volta teus olhos pra Deus, o Justo Juiz

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~ por celsommachado em 18/02/2011.

Uma resposta to “…política? vergonha nacional…”

  1. Oi, Celso
    Gostei do texto. É verdade que as trocas de favores no exercício da política são detestáveis. No fim das contas, expressa a dura verdade de que (em diferentes níveis, e com diferentes consequencias) a maioria de nós está mais preocupada consigo mesmo, seu próprio conforto e bem-estar, do que o do próximo. Uma responsabilidade muito maior tem os líderes do nosso país, aqueles que foram colocados lá por nós, para gerirem o espaço público.
    Já em relação ao governo da nova presidente, eu pessoalmente, devo admitir que me surpreendi positivamente com 2 coisas: os cortes de 50 bilhões nos gastos do orçamento da União (metade do qual se relaciona aos gastos dos parlamentares), e a própria questão do Salário Mínimo, que deverá ser aumentado aos poucos, mas não muito de imediato para não aumentar os juros e nem prejudicar os programas de redução da pobreza. Não daria para fazer os dois: aumentar muito o SM e continuar com os programas de redução da pobreza que tem diminuído a desigualdade em noss país. Esse site de um amigo meu explica o porquê e é bastante elucidativo: http://sociometricas.blogspot.com/2011/02/excelentissimo-senhor-presidente.html
    abração!
    Carol

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