Que igreja?…Que evangelho?…Reino de quem?…

Há muito tempo, ainda criança, eu ouvia falar da igreja. A imagem que se construiu ao longo da minha caminhada vivencial era de um lugar ou ambiente acolhedor, envolvente, onde as pessoas sentiam-se felizes. Onde os relacionamentos eram verdadeiros e transparentes e o meio pelo qual todos cresciam amadurecendo com a ajuda de cada um, mas eu cresci…e ao longo do tempo percebi as mudanças, e que mudanças!!

À medida que o tempo passava e eu amadurecia comecei a ouvir também que esta igreja estava estruturada nas bases de um evangelho chamado de Jesus Cristo. A minha curiosidade me levou a procurar conhecer o significado e abrangência desse evangelho. Comecei a descobrir riquezas inimagináveis para mim até então. A minha descoberta me fez experimentar vivencialmente um paradoxo, pois na verdade, o que eu aprendia distanciava-se muito do que eu vivia e era praticado a minha volta. Mas eu via na Igreja e no evangelho a possibilidade de justiça e “amor prático” (perdão pela redundância).

Nessa busca acabei descobrindo que havia algo na manifestação da graça e do amor de Deus que transcendia a igreja, ao que chamamos Reino de Deus. Reino que é estabelecido no coração dos homens sem deixar de ser de Deus. Reino que excede em muito a religião praticada pelos que estão na igreja, porque é de Deus. Reino que não pode ser alcançado meritoriamente, mas é fruto da graça de Deus. Enfim o tão sonhado reino de justiça, de paz e de amor.

Hoje adulto, mas ainda em processo de amadurecimento que creio só terminará quando minha terrena cessar, sou consumido pelas perguntas introdutórias: Onde está a igreja? Que evangelho é este? De quem é esse reino? Longe de pieguices e pré-potência, assumindo minhas responsabilidades no processo fico estarrecido diante da realidade que enxergamos atualmente. A igreja tornou-se um empreendimento lucrativo calcado em teorias ocas de auto-ajuda. O evangelho corrompido (não mais o de Jesus Cristo) perdeu sua dimensão de eternidade, de caráter e missão. Transformou-se em um conjunto de estratégias capitalistas focado no sucesso passageiro dos poucos anos que vivemos sobre a terra. Sucesso esse que caminha longe da idéia de caráter e do simplesmente ser, mas concentra-se tão somente no ter. E nessa loucura pessoas manipulam umas as outras, comprando e se deixando comprar movidas por motivações interesseiras. Estas saciando sua sede de poder aqueles o sucesso “fácil”, que segundo elas é confirmado pelo acumulo de bens e dinheiro. Por isso pergunto: De quem é esse Reino?

Mesmo tendo consciência de que há exceções, creio que este é o quadro que se apresenta diante de nós. É necessário e urgente reaprendermos a igreja como relacionamento, primeiro com Deus e também uns com os outros. É necessário reaprender o evangelho de Jesus Cristo, da vida simples, da justiça, do amor. É necessário reaprender que o Reino é de Deus e por isso dele é o governo e as decisões. Para isso é necessário que os líderes megalomaníacos, egocêntricos, narcisistas se arrependam e ensinem o evangelho de Jesus Cristo, ou que então saiam de cena. É necessário que aqueles que ainda não venderam suas almas ao diabo preguem, ensinam e vivam a verdade, mesmo dentro de suas limitações. Aí pode haver alguma esperança…

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~ por celsommachado em 04/05/2010.

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