FLEXIBILIZAÇÃO X POLARIZAÇÃO

•24/04/2016 • Deixe um comentário

imageAs polarizações muitas vezes levam as pessoas aos limiares da irracionalidade.
Os extremos costumam ser lugares perigosos e escorregadios, porque de certa forma são o fim de “não sei o que”, mas o fim. Se são “fim”, são situações, lugares, formatação de ideias, que chegaram a um estado de engessamento que impossibilita quaisquer flexibilizações e remanejos ou qualquer movimento objetivando ajustes.
Vemos esse condicionamento no atual cenário político do nosso país. Pensemos em alguns exemplos recentes:
Se alguém critica qualquer integrante de um partido contrário ao governo é acusado de conivência e de concordar ou desejar que a situação caótica do país se perpetue. Se alguém critica o governo é acusado de ser “coxinha”, de ser contra o pobre e a favor “das elites”. Se a pessoa critica a cusparada do Jean Willys no Bolsonaro, por entender que este tipo de comportamento é reprovável a um parlamentar, independente de quem tenha sido a vítima do ato, a pessoa é acusada de ser facista e de apoiar os mesmos toturadores admirados pelo Bolsnaro. Se você se posiciona contra a reprovável fala do Bolsonaro, que homenageia um torturador da época do regime militar, você é acusado de ser esquerdista por não acusar também o Marighella ou Che Guevara, entre outros, que sendo de esquerda cometeram atos semelhantes. Enfim, a pessoa se posicionando contra um ato, de forma isenta, apenas tentando denunciar o erro, independente de preferência partidária, sem atribuir valor a quem o cometeu, acaba virando alvo de extremistas e polarizadores que se confrontados irão dizer que não o são. Só que na verdade, suas reações e atitudes os denunciam.
A polarizaçao leva as pessoas a tal ponto de inflexibilidade fazendo com que ajam como se estivessem cegas, abrindo mão de  relacionamentos, amizades, atropelando e magoando pessoas, pelo simples fato de terem chegado a um extremo em suas posições que não permite sequer moverem-se, quanto mais recuar.
Neste aspecto a polarizaçao é destrutiva, pois não dá espaço, para a reflexão, ajustes e mudanças de posição quando estas são necessárias. Porque do extremo jamais se vê o outro. Do extremo não há possibilidade de considerar o outro.
A polarização por circular apenas nos extremos produz um tipo de gente a quem podemos chamar de radicais. Os radicais são aqueles que farão o que for preciso para defender sua ideia. Os radicais são aqueles que se tornam idólatras de suas próprias idéias e por elas manipulam e usam pessoas. Gente que em despesa de suas ideias são capazes de descartar e até, se necessário for, matar pessoas.
Os extremistas, radicais, polarizados sofrem um processo intenso de desumanização que os torna insensíveis, frios e fortes candidatos a psicopatia.
Despir-se da polarização e flexibilizar-se não é sinônimo de fraqueza, de inconstância, de volubilidade ou falta de foco e determinação, ao contrário, é sinal de uma humanidade madura, que entende-se em um processo de construção inacabado, mas em evolução, em um processo de aperfeiçoamento no qual, se permite moldar e mudar quando necessário for visando sempre o bem comum.
É fundamental que reajamos a qualquer tipo de polarização se quisermos viver bem com o outro. Na verdade, a felicidade de um indivíduo depende muito do outro, do seu próximo e a polarização é inimiga dessa relação. Reflitamos.

…não tenho problema…tenho problema…

•22/04/2016 • Deixe um comentário


Não tenho problema em ser chamado de fraco, pois sei que sou….tento me superar sempre, mas nem sempre com sucesso…

Não tenho problema em ser chamado de covarde, pois na maioria das vezes não tenho a coragem necessária….apesar de desejar muito tê-la…..

Não tenho problema em ser “o cara”, porque não sou….

Não tenho problema em não ser igual, pois não sou…sou eu….

Não tenho problema em não estar no padrão, porque não estou, pois padrões desumanizam, massificam e violentam a identidade…..

Não tenho problema em não ser perfeito, porque definitivamente NÃO SOU….
Tenho problema em não ser respeitado, pois sempre respeito. Aprendi que somos diferentes, e que, para ser respeitado, você não precisa se tornar eu e eu não preciso me tornar você, simplesmente devemos ser quem somos da melhor forma…..
Tenho problema com rótulos, não os coloco e não os recebo….

Tenho problema quando meu coração não pode ser ouvido por causa dos filtros que o outro decide usar limitando-me a ser o que ele acha que sou…

Não tenho e tenho problema, porque sou alguém em construção…não estou pronto…

Não tenho e tenho problema, porque sou humano e humanos não são perfeitos…

Não tenho e tenho problema, porque porque as demandas da vida me afetam…

Não tenho e tenho problema, porque que tenho sentimentos….

Não tenho e tenho problema, porque me sinto exaurido de forças diante das situações que não posso mudar…

Enfim, não tenho e tenho problema, porque a vida é complexa…e não tenho a pretensão de ser perfeito…mas posso sempre melhorar…estou sempre em construção….

…partiu…

•20/12/2015 • Deixe um comentário

PARTIU
Num dia chuvoso, coração nebuloso, partiu
Partiu sem querer, partiu querendo

Partiu sem saber, partiu sabendo

Partiu
Partiu o laço, perdeu o passo
Partiu o coração, mudou o pensamento

Partiu a vida, foi-se o relacionamento

Partiu
Partiu partido, partiu foi indo
Partiu de repente

Partiu pra sempre?

Partiu sem volta?

Partiu, mas volta?

Partiu
Partiu com dor?  Partiu
Partiu amando?  Partiu

Partiu chorando?  Partiu

Partiu esperando?  Partiu
Partiu com medo
Partiu tão cedo

Partiu
Partiu instável 

Partiu cansado

Partiu
Como a chuva fragiliza a terra, Partiu

Como a chuva fertiliza a terra…se houver  

 semente…será que volta?

…vida ideal…

•14/08/2015 • Deixe um comentário

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Na medida em que o tempo passa, a vida nos ensina, mas nem sempre na perspectiva romântica como pretendemos que seja este ensino. Chamo de perspectiva romântica a ideia de que o passar do tempo trará crescimento e progresso, ampliação de conhecimento e recursos e até amadurecimento para os relacionamentos que quase sempre comparados a bons vinhos de guarda, espera-se serem melhores com o passar do tempo e o avançar dos anos. Percebo que em alguns casos a vida pode até responder desta forma, a romântica. Há pessoas que enriquecem ou pelo menos atingem uma confortável condição financeira a ponto desse tema não ser uma preocupação no seu dia à dia. Há aqueles que crescem pessoalmente, culturalmente, profissionalmente e alguns que até se tornam celebridades, uns apenas na sua própria cabeça, outros a partir do “feed back” ao que semearam ou ao “sucesso” que construíram. Há aqueles que com o passar dos anos viram seus relacionamentos metamorfosearem-se para melhor, e, chegando à velhice, desfrutam de relacionamentos familiares saudáveis, tranquilos, com a sensação de dever cumprido, ou a boa sensação de quem atingiu o que sempre fora proposto como ideal tanto para a desafiadora e trabalhosa relação matrimonial como para a enigmática e não menos desafiadora e trabalhosa relação paterno-materno-filial.

Enfim, como alguém que vive a algum tempo, percebo que os resultados mencionados são exceções. A maioria das pessoas não alcança este estado de idealidade imaginada e sonhada. A maioria das pessoas que conheço e com quem convivo, em alguma área das mencionadas acima, em relação a sucesso ou idealidade falharam. Muitos casamentos não deram certo, muitas famílias ruíram, muitos foram à falência ou vivem com recursos tão escassos que têm o suprimento de suas necessidades básicas comprometido.

Estas supostas falhas, ou supostos fracassos são questionados ou explicados por alguns grupos de formas diferentes, mas com explicações nada satisfatórias, justamente por não serem realistas e por ignorarem contextos individuais. A minoria que atingiu o “ideal” e os teóricos de plantão com seus manuais de “ideais” em mãos, procuram encontrar e apontar algum erro cometido por quem fracassou como motivo da não conquista da idealidade. Impugnam sobre o “fracassado” também o carma de incompetente. Agem como se isso resolvesse o problema, detectar o erro ou o “culpado” e esclarecer onde falhou. Essas avaliações são parciais, incompletas, incongruentes e consequentemente passivas de rejeição, pois não consideram a individualidade do suposto “fracassado” e tudo que a envolve, sua educação, personalidade, caráter, formação, experiência de vida. Muitas vezes não considerando o “entorno” e sua influencias através de oportunidades e “portas fechadas”, mudanças, conflitos pessoais, acidentes, incidentes, as percepções  diante dos mais diversos momentos vividos ou sobre a própria vida, enfim, uma gama de fatores complexos que não deveriam ser omitidos em uma avaliação séria, que não pode ser simplista e nem refém de cartilhas de “ideais”, que na maioria das vezes são utópicas.

Não posso deixar de mencionar ainda a religião como proponente de um “ideal” e juiz do fracasso diante deste ideal. Como religioso, que de certa forma sou, percebo que a religião tem a capacidade de elevar a patamares estratosféricos as expectativas à respeito da idealidade. E como estas expectativas não se cumprem conforme o esperado, ela tem séria dificuldade de lidar com o “suposto” e praticamente inevitável fracasso. A religião ao tentar lidar com o fracasso constatado pela proposta de idealidade dos seus manuais, e, de suas crenças adquiridas por tradição, transita pelos ardilosos e não realistas caminhos da negação, da sublimação, da transferência de responsabilidades. Classifico-os como ardilosos e não realistas porque desembocam em um único ponto, uma mesma linha de chegada, a hipocrisia, seja ela voluntária ou involuntária, seja ela consciente ou inconsciente, não importa, mas o fim destes caminhos tem um só nome e uma condição de vida, a hipocrisia. Sem muito esforço é possível observar ao redor e perceber que existe muita gente simulando casamento feliz, vida familiar feliz, vida profissional feliz, sem serem. A religião em geral não é misericordiosa e na maioria delas não há espaço para o “fracasso”. Como ela e seus manuais precisam ser preservados o “fracassado” será sempre responsabilizado. O “fracassado” por sua vez não querendo ser reconhecido como tal e não disposto a enfrentar os tribunais da religião e seus julgamentos rasos, preconceituosos e essencialmente condenatórios e sempre destrutivos, fingem, aparentam o ideal, mascaram a realidade e se tornam reféns da mentira e da falsidade. O impressionante nisso tudo é que a aceitação da religião pela aparência parece resolver a questão e ambos caminham como se a mentira fosse verdade. Um lado diz que o sucesso do outro depende do cumprimento das regras que ele propõe e só o aceita se possuir determinado formato, o outro lado não consegue adquirir o formato proposto e finge usando maquiagem adequada, vocabulário adequado, o bom e velho “politicamente correto”. O lado proponente, aceita a aparência, o uso da máscara o receptor da proposta se acomoda com a “aceitação” e fica tudo bem. Nada muda.

A grande questão é que grande parte ou a maior parte daquilo que reza nas cartilhas humanas, religiosas ou não, como ideal de vida ou ideal para vida, todo sucesso sugerido é de certa forma utópico. A situação se agrava pois essa utopia gera um fracasso desnecessário e produz um sofrimento tão profundo que abarca os limiares da alma e do espírito, fazendo com que o suposto “fracassado” adoeça em todas as esferas da sua existência. Em um mundo competitivo como o nosso ninguém quer perder, ninguém quer se considerado “fracassado”, mas reféns de cartilhas elaboradas por acadêmicos brilhantes, religiosos ilustres, ou por um consciente coletivo consumista, autossuficiente, narcisista e egoísta, que nega a realidade, até o que não é fracasso e que seria simplesmente uma experiência normal de alguém que por estar vivo passaria é qualificado como fracasso e derrota.

Viver é errar muito mais do que acertar, mesmo buscando com todas as forças o acerto. Não há quem nasça sabendo. Não há quem chegue à perfeição por mais longa que seja a sua vida e por mais determinado que seja a pessoa. As propostas de sucesso não podem ignorar estes fatos. Não se produz vida de dentro da academia através de elucubrações teóricas, idealistas, mas não realistas. Não se constrói sucesso distante do chão, do suor, da perda, da dor, do esgotamento, do medo, da derrota, da limitação, da superação, da coragem, do enfrentamento, da pratica, enfim, da realidade. O sucesso não tem a ver com conquistas e acumulo de recursos e bens. A vida ideal não é a perfeita, pois esta não existe. A vida real, ideal é aquela que tem consciência de que o medo vencido hoje pode sim me engolir amanhã. É aquela onde o suor e a dor de hoje me permite colher o fruto amanhã. É aquela que sabe que tanto o sorriso de hoje pode se transformar em lágrimas amanhã, como as lágrimas de hoje podem ser a base para construir o sorriso de amanhã. O sucesso está na capacidade de superação, na perseverança, na resiliência, na capacidade de envergar-se até o chão e às vezes com muitas dores voltar a posição original e sorrir, e cantar, e dançar. A vida ideal é sim a do aprendizado, mas do aprendizado pé no chão, que a aceita complexa e não imputa respostas simplistas as suas difíceis questões. A vida ideal é flexível não é refém de cartilhas ou métodos. A vida ideal está livre de máscaras, pois é o que é e não precisa fingir ser o que não é. A vida ideal sorri, dança, celebra, sente dor e chora, se prostra, fica esgotada, desanima, se levanta e sorri novamente, volta a cantar e a dançar. A vida ideal não usa maquiagem. A vida ideal faz ao vivo, não por ser perfeita, mas por não ter medo de errar e por não precisar “manter as aparências”.

Para lidar bem com a vida real, cabem algumas dicas:

  • o conselho do compositor paulistano, Walter Franco sugerido na sua canção “Serra do Luar”: “Tudo é uma questão de manter a mente quieta a espinha ereta e o coração tranquilo”.
  • A experiência do Salmista no Salmo 30;11:  “Mudaste o meu pranto em dança, a minha veste de lamento em veste de alegria”.
  • A palavra do sábio: “Agora que já se ouviu tudo, aqui está a conclusão: Tema a Deus e guarde os seus mandamentos, pois isso é o essencial para o homem”.
  • A palavra de Jesus Cristo: “Se vocês obedecerem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como tenho obedecido aos mandamentos de meu Pai e em seu amor permaneço. Tenho lhes dito estas palavras para que a minha alegria esteja em vocês e a alegria de vocês seja completa”.

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…A COMPLEXA COMPLEXIDADE DA VIDA…

•13/07/2015 • Deixe um comentário

complexidadeVida, realidade complexa experimentada por seres complexos chamados humanos, que vivem tentando minimizar sua própria complexidade e a da própria vida, mas sem êxito. Após tentativas frustradas colecionam-se frustrações.

Tenta-se responder a esta complexidade com argumentos simplistas demais, e por isso sem sucesso, pois o complexo não se define, não se explica, não se descreve, apenas se aceita.
As tentativas de responder ao complexo com o banal no máximo produz um existir “romântico ilusório” com curto prazo de validade, mas a complexidade estará sempre ali deixando evidente que nada mudou e que a sensação vivida é aquela onde a criança esconde o rosto e acha que ninguém está vendo, é complexo.

A complexidade da vida está intimamente ligada às diferenças, que se somam à impossibilidade de perceber e compreender plenamente o outro, ganha força nos “orgulhos” e “egoísmos”, características inerentes aos humanos, e é agravada por mecanismos de defesa que se manifestam, de forma inconsciente ou não, na auto vitimização, o que pode trazer certo alívio e proteção momentânea.

A complexidade avança através das múltiplas visões de mundo e formas de perceber e decifrar o seu entorno. Visões que são fruto da formação dos indivíduos orientada por “micro culturas” que se desenvolvem dentro de complexas “macro culturas”, que evidenciam particularidades e criam identidade.

A complexidade da vida também é percebida quando se reflete sobre a individualidade. Seres singulares, com “vontades únicas”, que podem até ser semelhantes a outras, mas na verdade são únicas. São sonhos pessoais e únicos. Expectativas pessoais e únicas. Medos e coragem únicos. Gostos pessoais únicos.

Assim é a complexidade da complexa vida. Na verdade, esta percepção é apenas uma dentre as outras bilhões diferentes no complexo mundo dos humanos. Diante disso surgem várias perguntas, a maioria sem respostas. Seria impossível viver? Seria viver, uma proposta inviável? Teria sido a humanidade ludibriada com uma proposta de existência impossível de ser vivida e praticada por conta da sua complexidade? Creio que não.

Os humanos podem viver e mesmo com toda complexidade desfrutar do que de bom a vida tem, mas abraçar a aventura da vida exige algumas posturas ou disposições interiores inegociáveis. É necessário ter consciência da complexidade e de que pouco se muda neste universo de complexidades. Aceitar o outro como é, como ser único que só mudará algo se ele quiser e se decidir lutar muito por isso. Decidir não exigir nada de ninguém, apenas oferecer e respeitar a singularidade alheia, assim como a própria.

Mas tudo isso é difícil e complexo, porque o ser humano é muito orgulhoso para aceitar o outro como é. É complexo, pois o ser humano tem dificuldade de abrir mão em favor do outro, por conta do egoísmo que o define. É complexo, pois o indivíduo humano sempre achará que está certo, e que a forma dele é a melhor ao invés de simplesmente ser quem é e permitir que o outro também seja quem é.

A conscientização à respeito da complexidade de viver, a meu ver, seria um grande passo. Não para tentar eliminar o que não pode ser eliminado, e com isso contabilizar ainda mais frustrações, mas um grande passo para lidar melhor com a inevitável complexidade de viver e experimentar o que de bom a vida oferece, relacionamentos. As relações humanas se não forem vividos como tentativas de mudar o outro podem ser muito agradáveis e podem gerar crescimento mútuo. Viver relacionamentos tentando mudar o outro significa negar o outro e não aceita-lo. Creio que aí está uma das raízes do preconceito de que natureza for, a não aceitação do outro.

Seria possível simplificar esta complexidade? Não, mas é possível conviver com ela. Viva. Seja você. Permita que o outro seja quem é. Aprenda e ensine. Seja. Viva.

 

…a dor…

•26/05/2015 • 1 Comentário

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A dor é algo muito íntimo e individual, seja ela física ou da alma. Ninguém é capaz de dimensionar, superestimar ou subestimar a dor alheia, não é possível. Ela é pessoal e única. Nenhuma pessoa é igual e portanto nenhuma dor o é.

A dor pode ser coletiva em certo sentido, mas mesmo na coletividade não perde sua individualidade. Uma catástrofe natural é capaz de produzir dor a uma cidade ou país inteiros, mesmo coletiva, a percepção é individual. Cada pessoa perceberá e processará de uma forma e a soma dessas individualidades irá gerar a dor de um povo.

A dor, apesar de indesejada e malquista, pode produzir resultados positivos. Ela nivela os seres humanos. Ela os coloca diante de suas limitações e fragilidades aguçando a revoltante conclusão de igualdade resistida pela maioria. Ela confronta o egoísmo e o egocentrismo que lhes são naturais e abre a possibilidade para a empatia.

A dor é empática apesar de não ser igual, pois possibilita um ser humano a olhar o outro com mais compaixão e misericórdia do que julgamentos, porque mesmo que não na igualdade, na sua semelhança ela é capaz de dizer ao outro eu te entendo. Neste sentido a dor pode ser até mesmo agregadora.

A dor tem um efeito reflexivo. Leva à dúvida, ao questionamento e até à fé. Os turbilhões de pensamentos produzem uma avalanche de perguntas tais como: Por que? Por que comigo? Pra que serve está experiência? Onde está Deus enquanto sinto tudo isso? A maioria dessas perguntas talvez nunca tenham resposta, mas com toda, certeza a reflexão que elas geram não ficará estéril, pois ela muda o que sofre.

A tendência primeira da humanidade, e de forma acentuada neste século, é tentar fugir da dor, evitá-la, o que na verdade não é possível. As tentativas de fuga levam o ser humano a procurar em placebos o seu alívio. A tentativas frustradas de evitá-la levam a uma busca cega e irracional pela condição ou estado de torpor proporcionado por vários tipos de drogas, religiões, filosofias, etc, que propõem e até produzem certo alívio ainda que temporário. Estas tentativas apenas adiam a conclusão do processo e o fechar do ciclo.

A dor tem começo meio e fim ou não. Mas a única forma de lidar com ela é enfrentá-la. O resultado desse enfrentamento pode ser o alívio permanente ou não, mas é necessário enfrentá-la. Pode ser que o resultado seja apenas o aprendizado de saber lidar com ela e não permitir que a mesma lhe impeça de desfrutar o maior privilégio e a maior dádiva alcançada por um ser humano que é estar vivo. E pode ser também que se alcance o alívio total.

Ao contrário do que dizem as estórias, as novelas, as fábulas e as expectativas humanas, viver dói, mas nem por isso viver é ruim. O grande desafio ao ser humano vivo que inevitavelmente sentirá dor é não deixá-la ser senhora, mas fazer dela uma serva. E viver da melhor forma, apesar dela. É Enfrentar a ponto de fazer de cada dor uma possibilidade de crescimento e aprendizado.

Difícil? Quem disse que viver seria fácil?

A verdade a ser aprendida e encarada é que viver dói.

…o meu filho morreu…o desabafo do pai de um dependente químico…(autor desconhecido)

•20/05/2015 • 1 Comentário

O meu filho morreu…

Ele não foi assassinado.

Ele não sofreu um acidente grave.

Ele não foi acometido por uma doença incurável.

Ele não foi vítima da violência das grandes cidades.

Ele não foi alvejado por bandidos ou policiais….,

Mas o meu filho morreu…

O meu filho morreu em suas escolhas…

O meu filho morreu por suas escolhas…

O meu filho diante dos conflitos da vida escolheu mal…

O meu filho diante da busca de sentido para a existência, escolheu mal…

O meu filho reduziu quem poderia lhe dar segurança diante das instabilidades da vida a uma ou duas substâncias químicas…

O meu filho não enxergou a família e nem tão pouco os amigos como possibilidade…

O meu filho não enxergou nem mesmo seu Deus, o doador da vida, como possibilidade…

Por isso meu filho morreu…

Ao invés de gente, para ajudá-lo a enfrentar seus “demônios”, seus conflitos, suas angústias…

ele escolheu coisas…químicas…

Ao invés da realidade, ele escolheu a ilusão do torpor químico…

Ao invés da construção de um caminho, trabalhoso, mas eterno e seguro…

ele preferiu o momento de prazer, ou o prazer do momento…

Por isso o meu filho morreu…

Morreu pra mim, porque morreu para si próprio…

Morreu para a família porque morreu para si…

Morreu para os amigos pelo mesmo motivo…

E pode morrer pra Deus….

Ah! Morrer para Deus é o fim…

Ah! Se meu filho desejasse e escolhesse a vida…

Ah! Se meu filho se entregasse aos cuidados de quem realmente o ama…

Ah! Meu filho…meu filho amado…meu filho morreu….